Indicadura: Hotline Miami

Fala Galera!

Aqui no Portal 2 Join temos liberdade pra escrever sobre qualquer coisa (inclusive punheta), e como cada um de nós (ui!) tem experiências diferentes na vida (inclusive punheta), resolvemos lançar a coluna Indicadura pra compartilharmos nossos gostos com a galera (inclusive punheta).

Pra inaugurar, um jogo que faz muito sucesso no PC e também apareceu no Playstation 3, no Vita (!) no PS4 e até no Android: Hotline Miami.

Hotline Miami foi lançado em Outubro de 2012 e sua fama rapidamente se espalhou pela comunidade gamer. Fez tanto sucesso que logo tornou-se um dos torrents mais procurados pela internet, o que gerou um caso muito curioso: Um de seus programadores, Jonatan Söderström (mais conhecido como “CactuSquid“) entrou num fórum do Piratebay e no maior ato de bondade largou pra galera um pacote atualizado do jogo com um único pedido: que removessem o pacote pirateado anteriormente, já que ele tinha uns bugs que atrapalhavam o jogo e a intenção dos desenvolvedores era que todos tivessem a melhor experiência possível com ele. Baita atitude, não?

Inspirado no filme Driver, de 2011 e no documentário Cocaine Cowboys, de 2006, Hotline Miami traz uma Miami alternativa em 1989, portanto preparem-se para muito Neon, cores berrantes e até um Delorean (que não possui capacitor de fluxo e nem Sr. Fusão). Junte-se a isso uma pegada 16 bits, música eletrônica e muito sangue pixelizado e temos algo bastante inovador.

Tudo começa com você dentro de um quarto. O telefone toca, você atende e recebe a instrução de ir a algum lugar para fazer alguma coisa, sempre utilizando o sentido figurado (“tem umas crianças que precisam aprender boas maneiras no endereço tal”, por exemplo). Você desliga e pega uma encomenda na sua porta. Dentro dela tem uma máscara. Você pega, sai do prédio e vai até o endereço combinado, mesmo não fazendo a menor ideia de quem ligou e o porquê de ter que seguir as suas ordens. Lá veste a máscara e a fase começa.

Cada fase consiste em pisos onde o objetivo é matar todos os inimigos. Um detalhe: você chega desarmado e pode pegar as armas dos caras que derrubar. Além disso, um tiro só e já era, tem que recomeçar todo o piso. Enquanto isso, toca uma música estranhamente perturbadora, mas que inconscientemente dita o ritmo da matança. É como se a batida da música fosse seu coração pulsando, bombeando sangue para que seu cérebro possa dar apenas duas ordens:

1- Mate

2- Sobreviva

E você mata. Um, dois, três, e morre. Começa tudo de novo. Mata, mata, morre. Começa novamente. Respire fundo, mude a estratégia e tente novamente. Morreu? Mude de novo, até conseguir.

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O mais curioso nesse jogo é que a frustração não te desanima a continuar, muito pelo contrário: ela serve de combustível pra encontrar a estratégia perfeita pra vencer seus inimigos. Seja de maneira stealth, ou chamando atenção de todos numa tática suicida pra matá-los no mesmo lugar e de uma vez só.

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E o jogo ainda lhe recompensa por isso: matar de maneiras diferentes, usando armas e táticas variadas juntamente com a velocidade lhe garantem pontos que no fim lhe darão um ranking, que vai de D- até A+.

Ao completar cada fase, o momento que lhe causa o maior impacto: A música para de tocar no instante em que você matou o último inimigo e você é obrigado a retornar ao ponto inicial passando por todos os corpos que deixou espalhado, olhando aquilo tudo já fora do transe com o silêncio ensurdecedor que ocorre. Mas você entra novamente no carro e aguarda o próximo telefonema que o levará à próxima missão.

As armas são um ponto curioso: cano, cassetete, taco de beisebol, faca, corrente, pé de cabra, pistolas, submetralhadoras, rifles, escopetas e por aí vai. Em alguns cenários até taco de sinuca e panelas com água fervente viram armas. Tudo isso lhe dá uma liberdade enorme pra acabar com os inimigos da maneira que achar melhor.

Outro diferencial de Hotline Miami é que ele te dá diversas máscaras pra utilizar, e cada uma tem uma característica diferente: socos que matam, começar a fase com uma Uzi, poder levar mais um tiro, enxergar mais longe, ser mais rápido, e por aí vai. Cada máscara lhe dá a possibilidade de seguir uma estratégia diferente, o que amplia e muito o leque de variáveis do jogo. Algumas delas são liberadas durante o modo campanha e outras são encontradas no meio das fases.

Além disso tudo, uma história envolvente e que faz questão de te confundir o tempo todo. Será que o que você vê é realmente o que acontece? Será que é ar o que você respira?

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Entre uma missão e outra você se depara com uma galinha, uma coruja e um cavalo questionando seus atos, como se o provocassem para saber se você tem noção do que está fazendo. E será que tem mesmo? Jogue e descubra.

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Hotline Miami 2: Wrong Number, lançado em março do ano passado segue a mesma premissa, mas dessa vez ampliando a quantidade de máscaras, o tamanho das fases, a IA e os padrões dos inimigos, além é claro de novas armas. Mais uma vez a trilha sonora dita o ritmo e a história tá ali pra te deixar confuso. A sequência conseguiu trazer de volta tudo o que o primeiro título tinha de bom e acrescentar ainda mais novidades no gameplay, tornando Hotline Miami 2 um jogo tão bom (ou até melhor) do que o primeiro.

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Tem um super nintendo no topo do balcão do bar

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Olha ele aí de novo

Enfim, Hotline Miami não é algo que seja possível de compreender vendo gameplays ou lendo análises como esta. Estava com muitas dúvidas em relação a este jogo, então baixei uma versão pirata dele e dez minutos depois estava desinstalando e indo no Steam pra comprar o original. Valeu cada centavo pago.

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Portanto, dê-se a oportunidade de experimentar Hotline Miami. Coloque seus fones de ouvido, deixe a música fluir e ditar o ritmo da batida do coração, liberte seu animal interior e lance sua fúria contra os inimigos. Jogue, sinta, mergulhe de cabeça no jogo. Mate, morra, repita, frustre-se, xingue, recomece.

Escolha sua máscara, e acima de tudo:

Atenda o telefone.

(publicado originalmente em somosnintendo.com)

Fmrbass

Fã de Zelda e adepto da Nintendo desde que se conhece por gente. Fora um Atari e um Mega Drive, todos os seus outros consoles foram Nintendo. Nunca teve um Playstation ou Xbox (e nem pretende ter), já que nunca viu motivo pra isso.