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Thor: Ragnarok – Review SEM SPOILERS

Confesso que meu hype estava nas alturas pra esse filme. O primeiro filme do Thor de 2011 foi um filme ok pra mim. Gostei do mundo que criaram, de Asgard, do povo e da mitologia. A construção e desenvolvimento dos personagens é que deixaram um pouco a desejar. Já o segundo filme, O Mundo Sombrio de 2013 foi uma experiência bem melhor, tirando o vilão que ficou genérico demais. E esse, supera os dois primeiros? Supera o hype ? Vamos analisar.

A trama é simples. Thor (Chris Hemsworth) está em busca das esferas do drag…das joias do infinito. Nesse meio tempo, a poderosa deusa da Morte, Hela, vivida por Cate Blachett é libertada de seu mundo e vai pra Asgard para governar o lugar, e posteriormente os outros reinos. Thor, após um acidente, é lançado pelo espaço e cai num planeta chamado Sakaar, onde o líder, Grão-Mestre (Jeff Goldblum) aprisiona o Deus do Trovão para lutar em torneios de gladiadores. Lá, ele encontra seu velho amigo Hulk/Bruce Banner, interpretado por Mark Ruffalo, seu meio-irmão e não tão amigo Loki (Tom Hiddleston), e uma antiga e misteriosa guerreira, Scrapper (Tessa Thompson). Juntos, eles tentarão escapar do planeta em que estão, para salvar Asgard das garras de Hela.

A direção do filme fica cargo de Taika Waititi, que dirigiu ótimos projetos, como o excelente Boy (2010), o hilário O Que Fazemos nas Sombras (2014) e o sensacional A Incrível Aventura de Rick Baker (2016). Quem conhece os filmes do diretor, sabe que comédia é sua marca registrada. Além disso, ele hábil o bastante para escrever excelentes diálogos, como em Boy. Nesse Thor, ele se utiliza de um dos seus melhores recursos, a comédia. Sim, o filme é recheado de gags, piadas e muito humor físico. O riso é garantido a cada 5 minutos de projeção. Manja só o naipe do diretor aí.

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Logo a primeira cena do filme já dá o tom do restante do longa, onde o nosso herói se vê prisioneiro de um certo alguém, e durante todo o papo entre eles, Thor não leva o cara a sério por um minuto sequer, tirando uma com a cara dele sempre que possível. Logo depois, acontece algo que também é marcado ao longo do filme, uma cena incrível de ação. Pronto, os dois tons, comédia e ação, estabelecidos nos primeiros minutos são a espinha dorsal do longa.

Como dito, a comédia é muito presente no filme, especialmente nas relações do Thor com Loki e em maior grau, Thor com Hulk, a qual compõe as melhores cenas do filme. Aqui encontramos um Hulk que está transformado por muito tempo, logo, ele se comporta como um bebezão. Ele fala, resmunga, é imaturo, briguento e brincalhão.

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Já o Loki, bom, é o Loki. Carismático e simpático quando quer, sempre procurando uma oportunidade de se dar bem, traindo sua presa na hora certa. Não é à toa que ele, a princípio, cai nas graças do Grão-Mestre, sendo o Deus da Trapaça.

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Falando em Grão-Mestre, Jeff Goldblum faz um incrível papel de… Jeff Goldblum. Sim, o cara atua como ele mesmo, como sempre o fez. Mas isso, neste filme, cai como uma luva, fazendo parecer que o personagem foi escrito exclusivamente para ele, roubando as cenas em que aparece. Tessa Thompson destrói como Scrapper, colocando um ar imponente na personagem, mas que possui certa fragilidade quando pressionada sobre alguns assuntos do passado. Não poderia deixar de mencionar Odin, vivido mais uma vez por Anthony Hopkins. O que falar dele? Pena que não aparece mais vezes no filme, pois dá um show de atuação em cada aparição dele no longa.

Como cada herói merece um vilão, temos nesse, Blanchett vivendo Hela, a deusa da Morte. Olha, existem atores e atrizes, e existem ATORES e ATRIZES. Cate certamente se encaixa na segunda categoria, pois usa todo seu talento, postura, impostação de voz e expressões, para incorporar toda a maldade que a personagem carrega. O mais incrível é que a própria atriz, com sua performance magnífica, ajuda a erguer a personagem, que poderia ter falhado miseravelmente nas mãos de alguém não tão talentosa.

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O filme é lindo, visualmente falando. Não só as cenas de ação e efeitos especiais, mas também a cor empregada no longa acaba adquirindo uma identidade própria. É incrível notarmos as diferenças por exemplo, quando Thor está na Terra, onde a projeção carrega tons mais apáticos e acinzentados, quando está em Asgard, com uma cor mais quente e dourada, e quando está em Sakaar, onde a saturação encontra-se em todas as diferentes cores e formas que o planeta, os trajes e as naves apresentam. O próprio Grão-Mestre é um carnaval de cores em seus trajes e maquiagens.

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A trilha sonora do filme me deixa em cima do muro. Ela tem um lado positivo e negativo. O lado positivo é que ela faz aquilo que curto em alguns filmes, de utilizar a música dos trailers, quando estas caem perfeitamente com o tom do projeto. Aqui, a música Immigrant Song do Led Zeppelin, que tanto fez sucesso nos trailers, é utilizada não uma, mas duas vezes. E meu amigo, as cenas as quais essa música é tocada, são simplesmente sensacio-FUCKING-nais. Não poderiam ter escolhido canção mais perfeita, pois ela justamente trata do tema dos reinos na mitologia nórdica. Por outro lado, o restante da trilha sonora é composta em sua maioria por teclados psicodélicos que lembram muito os filmes oitentistas. Na boa, isso passa totalmente despercebido no filme. Não agrega em nada.

Bom, dando a deixa de algo não tão bom que percebi neste filme, incluo mais alguns itens ao cardápio. Por imergir tanto na comédia, o filme acaba retirando boa parte da tensão e da preocupação do espectador pelo futuro de Asrgard. Aqui, não ligamos, pois estamos preocupados demais com a próxima piada que virá. Por mais que seja divertido, o filme precisa fazer com que o espectador se importe com o que está em risco, fazendo-o investir ainda mais na trama. A comédia excessiva faz também com que Thor seja um personagem diferente do que já foi mostrado em filmes anteriores. Antes, ele era engraçado, porém, muito focado nos seus objetivos e na proteção de Asgard. Em Ragnarok, ele está bem bobão, em prol da comédia, fazendo-o destoar um pouco do que havia sido mostrado.

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Outra questão que deixa a desejar também é a simplicidade do filme. Veja Guardiões da Galáxia: Volume 2, por exemplo. É um filme repleto de comédia e ação, porém, possui subtramas envolvendo todos os personagens, fazendo com que cada um brilhe em seu tempo de tela, drama familiar, peso das decisões e consequências. É um filme mais denso, pois possui diversas ramificações que funcionam. Thor: Ragnarok é um filme de comédia com ação. Ponto. Nada mais que isso. Compreendeu como falta algo a mais no filme? E isso meus amigos, não é bom, pois faz com que o filme perca força com o tempo. Se não tivesse toda a franquia em que se apoiar, ele certamente cairia no esquecimento.

TÁ, CHEGA DE COISAS RUINS.

POSSO DAR UMA GEEKADA AGORA?

Mano do céu, o Thor FINALMENTE SE UTILIZA DO NOME: DEUS DO TROVÃO. CARRRRALHO MALUCO, É O RAYDEN ENCARNADO. EU PIREEEEI NAS CENAS DE AÇÃO, ESPECIALMENTE COM ELE USANDO OS PODERES DE TROVÃO. FOOOOOOOOOODAA DEMAAAAAIIIS!

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Ok, me recompondo agora. Mas sério, lágrimas nerds escorreram de meu rosto nestes momentos.

Enfim pessoal, o que posso dizer é que Thor: Ragnarok empolga pela ação e pelos visuais (e pela Immigrant Song nas duas vezes que é tocada), diverte pela comédia e certamente são duas horas de pura diversão que você irá passar no cinema. SIM, ESSE É UM FILME ESPECIAL PRA CINEMA, COM TELA GRANDE, SOM SURROUND E GALERA TODA JUNTA, GARANTINDO QUE AS RISADAS PERDUREM POR MAIS TEMPO. Pra quem procura exatamente isso em filmes de super-heróis, é um prato cheio. Agora, aqueles que buscam um pouco mais de substância, ou quem for purista dos quadrinhos e querer algo semelhante em tela, o filme pode decepcionar. Mas uma coisa é garantida, você ficará com um sorriso no rosto durante boa parte da projeção, e isso já é alguma coisa.