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Games: First ou Third?

A E3 (Electronic Entertainment Expo) de 2017 chegou ao fim.  O evento é um dos grandes palcos para as empresas de jogos anunciarem seus grandes anúncios para o mesmo ano ou futuro próximo. Mas nessa minha volta ao portal (você nem sentiu falta né? Sei  😡) decidi trazer não um artigo falando dos melhores anúncios do console Y ou Z e sim questões importantes ao mundo gamer que ando percebendo há alguns anos, entre elas, os games first e third arty.

Nintendo, Sony e Microsoft. Três gigantes no mundo dos games e entretenimento digital. Nintendo, empresa japonesa centenária, já esteve no mundo das cartas/baralho até chegar ao mundo dos consoles caseiros nos anos 80. Sony, outrora atentava apenas para o entretenimento digital (cd, aparelhos de som, etc), até no final dos anos 90 entrar de vez aos games. Microsoft, empresa voltada aos computadores e programas, no inicio dos anos 2000 também entra na dança para competir no mercado gamer.

Cada uma tem o seu diferencial com pontos positivos e negativos. Nenhuma é perfeita (e nunca serão!), mas na minha vida gamer pude perceber que o cenário atual está sofrendo mudanças que podem ser bem significativas num futuro próximo. Seria uma nova era gamer ou a velha guarda está voltando? Os games first party e third party teriam influência nisso?

 First Party, Second Party e Third Party

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Primeiro, quero deixar claro do que se trata os termos First Party, Second Party e Third Party (apesar que iremos tratar especificamente só das first e third no assunto central). Esses são termos usados para classificar produtoras / desenvolvedoras de games de acordo com sua relação e/ou dependência com uma fabricante de consoles. Vou dar exemplos da Nintendo abaixo:

First party se refere à própria empresa fabricante, alguma subdivisão dela ou uma empresa que pertence à fabricante. No caso da Nintendo, os jogos feitos pela própria Nintendo são first party, assim como jogos desenvolvidos por empresas como a Retro Studios ou a Monolith Soft, já que estas pertencem à Nintendo.

Second party é uma empresa independente, mas que tem algum tipo de ligação ou parceria com a empresa fabricante de console e geralmente só faz jogos para ela. Uma second party da Nintendo é a Game Freak, responsável pelos jogos da série Pokémon.

Third party seriam empresas que são totalmente independentes da fabricante e faz jogos para diversos consoles. Exemplos: Ubisoft, Capcom, Konami, etc.

Explicado para os que ainda não conheciam esses termos, quero lhes deixar uma pergunta relacionada as três grandes fabricantes de consoles e, no final uma outra pergunta, que espero que reflitam e possam responder aqui mesmo no portal ou na página do Facebook. Lembrando que não quero gerar discussão e ódio de ninguém, é apenas para trocarmos informações, não levem minha opinião pessoal como verdade absoluta.

Nintendo: First x Third

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Nintendo desde que entrou no mundo dos games inovou com suas franquias exclusivas e novidades na forma de jogar. Hoje, corre por fora da corrida gráfica, mas nem sempre foi assim: do Nes (Nintendinho para os íntimos…) até o Nintendo GameCube, a Nintendo corria na guerra dos gráficos; com o Wii em diante, todos consoles da empresa tanto portáteis como de mesa, passaram a obter um hardware mais modesto. Mas desde o Nintendo 64, a Nintendo perdeu um apoio third forte. No GameCube melhorou um pouco, no Wii teve alguns, mas nada como era nos tempos de ouro do Snes por exemplo. Já no Wii U, foi o pior apoio third que teve. Nos portáteis, a Nintendo sempre obteve apoio third, nunca passou por grandes / sérias dificuldades em relação a isso.

E hoje, com o recém chegado Nintendo Switch, podemos perceber o alvoroço que eles está causando e já é bem provável que irá superar as vendas do Wii U logo. Sua biblioteca first no primeiro ano já é bem superior que ao do seu antecessor. E as thirds? Fato que com o fracasso comercial do Wii U, empresas thirds se afastaram da Nintendo, tem ainda o estigma que jogos thirds não vendem em consoles Nintendo o que por um lado está até certo, pelo fato de que os jogos first da Nintendo vendem imensamente mais do que jogos third em seus console. Mas o Switch, o atual console principal da empresa, precisa das thirds? Até o momento vieram anúncios thirds pequenos, diversos indies, alguns thirds do ano passado ou de 2015, e poucos thirds de peso inéditos (inédito que digo são os desse ano, por exemplo FIFA 18, NBA 2K18…). A Nintendo consegue sobreviver com o Switch só com titulos first? O Switch iria pra frente SOMENTE  com The Legend of Zelda: Breath of the Wild (já disponível), Super Mario Odyssey (27/10/2017), Xenoblade Chronicles 2 (2017), Pokémon RPG (a definir lançamento) e Metroid Prime 4 (a definir lançamento) por exemplo?

Sony: First x Third

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Sony começou com dois sucessos absolutos em vendas: PS1 e PS2. Além de liderar em vendas suas respectivas gerações, entraram também no seleto grupo de vídeo games mais vendidos de todos os tempos, PS2 em primeiro lugar e PS1 em segundo (ou em quarto se colocar os portáteis no meio, ai o segundo é o Nintendo DS e o terceiro o GameBoy). Fato se dá não só pelas suas bibliotecas variadas, também pelo fácil acesso as thirds que a empresa sempre deu (ou pelo menos dava…calma logo explico!). A partir do PS3, a empresa decide apostar na potência gráfica e hardware, já que seus dois consoles anteriores eram os mais “fracos” em termos técnicos. Nos portáteis, PSP foi um grande sucesso, óbvio que não alcançou as vendas do rival e já mencionado Nintendo DS, mas mesmo assim fez o seu dever de casa. PS Vita, o segundo portátil da empresa, não seguiu os passos de seu antecessor e foi esquecido pela própria “mãe” Sony, sendo um fracasso comercial da mesma e aos poucos é deixado de lado (tanto que nem citaram se quer o nome dele na E3 2017!), uns já dizem que ele está “enterrado”. No PS4, a empresa voltou a apostar em potência gráfica, apesar que no inicio de sua vida tinha vários remasters (relançamento de um jogo já lançado com algumas melhorias gráficas e/ou opções no jogo) e poucos jogos, hoje já tem uma biblioteca robusta. Falando em gráficos, atualmente o PS4 perdeu seu “posto” para o vindouro Xbox One X.

A Sony surpreendeu a todos nos últimos dias, e de forma negativa, ao afirmar que seu console não terá crossplay (interação multiplayer online com outros consoles) de alguns jogos como os gigantes de vendas Minecraft e Rocket League. Talvez isso não gere consequências sérias para Sony, mas pode ser que (apenas uma hipótese), Sony esteja passando por algo que a Nintendo passou no final dos anos 90, arrogância e isso pode acabar gerando desconforto com as thirds (foi o que aconteceu no 64 de certa forma). Fica a pergunta (atenção, não estou dizendo que vai acontecer, é apenas uma pergunta para se refletir): Sony, com seu PS4 ou um vindouro PS5, precisa das thirds? A Sony consegue sobreviver SOMENTE com seus títulos first? O PS4  / PS4 Pro (ou seu sucessor) iria pra frente SOMENTE  com as franquias God of War, UnchartedLittle Big Planet, Infamous  Killzone?

Microsoft: First x Third

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Microsoft começou sua carreira nos consoles com o Xbox clássico, anos atrás, batendo de frente com o PS2 e Nintendo GameCube. Era o console mais potente em termos técnicos e gráficos e ficou em segundo lugar em vendas. Mesmo ficando em segundo não chegou a ser um fracasso, assim como GameCube em terceiro (que vendeu ligeiramente menos), nenhum deles foram fracassos, exceto o Sega Dreamcast que não aguentou os rivais e sucumbiu. No Xbox 360 a empresa volta a apostar em hardware (algo que se percebe até hoje, tamanha é a atenção que eles dão fazendo seus consoles serem quase um computador) e, mesmo ficando em terceiro lugar em vendas de sua geração (aqui no Brasil foi o que mais vendeu, mas no resto do mundo não) novamente não chegou a ser um fracasso: Xbox 360 entrou também na lista dos 10 consoles mais vendidos da história. No Xbox One, a empresa não está vendendo o que era esperado e assim como a Sony lançou o PS4 Pro (que é um upgrade do PS4) ela fez o mesmo com o Xbox One e anunciou o Xbox One X, o que era conhecido como Scorpio, mostrando um upgrade do Xbox One só que bem mais poderoso que o Ps4 Pro. Ultimamente, o ponto negativo que muitos vêem nos consoles atuais da Microsoft é os jogos exclusivos, ou seja, os first party. Seus exclusivos são compartilhados com o PC, sendo, olhando por um certo ângulo, uma desvantagem aos olhos dos consumidores já que com um PC Gamer já tem acesso aos seus exclusivos e não precisaria necessariamente de um console da Microsoft.

E a Microsoft, ela consegue sustentar seus consoles SOMENTE com títulos first party (algo que muitos dizem que ela não tem)? A Microsoft precisa das thirds para sobreviver nos consoles? O Xbox One / Xbox One X (ou seu sucessor) iria pra frente SOMENTE com Halo, Forza, Gears of WarCrackdown e Killer Instinct?

Estamos entrando numa nova era gamer ou seria a velha guarda voltando?

Parece que o interesse principal não está tanto assim voltado aos números de fps ou fissura a gráficos.  Há poucos anos atrás, multidões corriam atrás de gráficos, não que hoje ainda não correm, correm sim…mas parece que o interesse majoritário de jogadores estão ao pouco saindo desse paradigma de que “hardware mais potente é o melhor videogame.” Novos ares ou uma nova maré está vindo ao mundo dos games? Empresas que eram sociáveis estão se fechando e outras que eram insuportáveis estão ficando simpáticas? O que está havendo ou melhor, o que vai acontecer nesse tão belo e divertido mundo gamer que amamos? Esperamos que todos nós podemos sair ganhando e usufruir ao máximo que as empresas, sejam elas fabricantes ou thirds, possam fornecer e que essa guerra ridícula de “o meu é melhor e o seu é ruim” termine (sonhar não custa nada…).

Mas um fato é: percebo sim que existem empresas no mundo dos games que atualmente estão mudando a cara e a forma de agir, umas de forma positiva e outras de forma negativa…ficou curioso em saber quem estou falando?? Fica para um próximo post, aguarde….Enquanto isso, comentem, ficarei feliz em responder, aprender e trocar informações! Até mais!

Zanella é cristão, marvete, nintendista, fã do Foo Fighters e rpgista. Encontre-o também no nerdprofeta.com

  • Boa abordagem. Mas o resumo disso é qualidade e preços justos? Se for pra continuar pagando caro e consoles e jogos vou preferir viver no seleto e surpreendente mundo Nintendo. Claro, são palavras de quem possui como plataforma principal um PC Gamer.

    a verdade é que a indústria muda rapidamente, mas surpreender que é bom, já não acontece com a magia de outrora.

    • Fala Jeff beleza?

      Infelizmente em nosso país ficamos atrás dos outros em questão preço, isso é fato, e principalmente quando se trata de Nintendo que, mesmo que tem um importador nacional já anunciado isso não vai ajudar muito em questão preço, já que ela própria não está aqui, o que ai sim ajudaria.

      A abordagem foi mais em relação a jogos, first e third principalmente. E sim, as empresas tem que ter essa magia sempre, mesclando a velha e boa fórmula com inovações.

      • Concordo. Mas ao meu ver, a Nintendo seria a única capaz de viver de si mesma atualmente.

  • hbeira

    Bom artigo.
    Ainda acho que o novo Xbox deveria ter mantido o Scorpio, ao invés de um “X”. 😛

    • hahahaha pessoal anda sem criatividade pra colocar nomes né? xD

  • Mesmo que Sony ou Microsoft façam movimentos ora bons ora ruins em relação as terceirizadas, isso não vai gerar uma ruptura ou diminuição na relação entre todas elas. Isso pra mim não faz sentido, Sony e Microsoft dependem muito dos terceiros e os terceiros dependem muito delas. Já a Nintendo possui um histórico pós Super Nintendo que demonstra um certo desprezo pelas terceirizadas, eles perderam o jeito da coisa. Mesmo assim se mantém e até surpreende como aconteceu com o WII. Em resumo acho que pouca coisa vai mudar e as 3 vão seguir muito bem, cada uma com seu estilo. ^_^

    • Acho que um ponto que não citei no texto e vou citar num futuro post, é o atual presidente da Nintendo, Tatsumi Kimishima. O cara chegou mudando e alterando fortemente a forma da Nintendo, isso é claro, e creio que durante a administração dele, muita coisa ainda vai mudar, esperamos que positivamente.

      • Quando o assunto são “japoneses” e Nintendo é sempre bom esperar para ver. Como já dizia um alto funcionário da principal parceira comercial da Nintendo nos USA…

        “… Assim, aviso com antecedência a Charles que lidar com japoneses é um pouco diferente do que está acostumado. Quando eles falam sim, querem dizer “sim, eu entendo” e não “sim, eu concordo”. Então, se você disser ao sr. Arakawa que quer diminuir os preços, ele vai dizer sim, mas isso não quer dizer que vá ceder.”

        John Sullivan comprador da Toys “R” Us no período de ouro da Nintendo nos USA. Extraído de A Guerra Dos Consoles, Blake J. Harris