Banner Wallpaper Atari Jaguar

Um ano de Atari Jaguar – Como tem sido?

“E aí, cara. Como tem sido jogar Atari Jaguar por 01 ano? Ainda acha ele bom?”, me perguntaram no último encontro da 2Join. E além deste vários amigos me perguntam e até mesmo nas redes sociais. Então decidi por relatar como têm sido minha experiência jogando Atari Jaguar ao longo deste primeiro ano com ele. Como sempre digo, espero que apreciem! =D

AQUISIÇÃO DO CONSOLE E SEUS GAMES

Para quem me acompanha sabe que o Atari Jaguar era um dos meus maiores objetivos como colecionador. Desde que li sobre ele pela primeira vez em 2000 e depois de ter tido contato pessoalmente e jogado em um em 2010 o Atari Jaguar sempre me fascinou. Em abril de 2016 viajei para São Paulo para o 38° Encontro Canal-3, veterano clube de colecionadores existente desde 1998 e que faço parte desde 2010, e lá adquiri o meu exemplar. Juntamente com ele trouxe 06 jogos: Cybermorph, Wolfenstein 3D, Evolution: Dino Dudes, Kasumi Ninja, Trevor McFur In The Crescent Galaxy e Theme Park, este último ainda novo, lacrado. O console, loose, ainda veio acompanhado de 02 controles, sendo que um não funcionava, mas que consertei facilmente logo na semana seguinte (era apenas um fio solto).

Meus cartuchos de Atari Jaguar
Meus cartuchos de Atari Jaguar
Trevor McFur In The Crescent Galaxy
Trevor McFur In The Crescent Galaxy
Theme Park, lacrado
Theme Park, lacrado

De longe o Atari Jaguar é o item mais exótico e raro a compor meu acervo, seguido de alguns games antigos de PC raros e difíceis de achar que estão na coleção. Só o fato do Jaguar ser um item raro e bastante valorizado hoje em dia já me faz sentir quase que um arrepio ao empunhar seu controle, espetar o cartucho e ouvir aquele urro de fera ao ligar o console, seguido da musiquinha tema da marca, presente em todas as propagandas da Atari. Mas a sensação que esta ideia proporciona não é tão intensa quanto a sensação que sinto com este pensamento: um videogame que alimentei por 16 anos o sonho de ter na coleção!

WOLFENSTEIN 3D, DO JAGUAR

Wolfenstein 3D
Wolfenstein 3D

Tão logo voltei de viagem já o instalei no meu na época simples e pequeno raque e lá ele permaneceu, para não sair mais. Ele dividia espaço com algum dos meus outros consoles, que eu variava de acordo com a minha vontade de jogar certo game, porém ele eu não trocava. Isso porque o jogo que peguei “pra valer” nele para desfrutar foi nada menos que Wolfenstein 3D, de longe o meu favorito dos 06 cartuchos! Eu já tenho vivência com a franquia desde Wolfenstein 3D, passando por Return To Castle Wolfenstein e mais recentemente The New Order e Old Blood. E Wolf 3D do Jaguar figura a melhor de todas as versões do título, tamanha a qualidade. E não é para menos: os gráficos são bem mais bonitos e polidos que o original de MS-DOS, não fica com pixels enormes quando se aproxima de um objeto, roda a 60fps e ainda possui extras, como armas exclusivas e novos caminhos secretos. Fora que os mapas não são os mesmos que o do DOS, mas sim próprios desta versão.

Por eu ser dos jogadores que esquadrinham cada canto do cenário a procura de segredos e só passo de fase depois de ter descoberto 100% é o motivo pelo qual tenho levado todo esse tempo jogando. Mas sem pressa, apenas me divertindo muito! ;D

Agora outro game que tenho me dedicado a jogar mais nele é Kasumi Ninja

KASUMI NINJA

Kasumi Ninja
Kasumi Ninja

Era duro: toda vez que eu insistia em jogar eu mal conseguia dar uma porrada no adversário! E por isso mesmo e por estar na missão do Wolf 3D eu meio que o deixei de lado. Pelo menos até este final de semana de Carnaval. Decidi que era hora de tentar jogar pra valer.

Peguei a tarde de sábado e dá-lhe praticar, jogando no modo Story na dificuldade Normal. Depois que assisti a série de vídeos do Cosmic Effect sobre o Jaguar e o cara completando o game eu tinha que tentar também, ué. Afinal que tipo de proprietário de Atari Jaguar seria eu se não terminasse Kasumi Ninja?! XD

E então pratiquei. E pratiquei. E pratiquei… E sempre levando uma sova e perdendo no primeiro lutador! O jogo é difícil de se adaptar: os movimentos são um pouco lentos e não basta sair apertando botões feito louco para desferir golpes… De repente acertei uma bica na cara do adversário. De repente consegui acertar um soco seguido de chute. Opa, agora acertei uma rasteira e já emendei um gancho nos cornos do desgraçado… Agora eu venci um round!! E então venci finalmente o primeiro oponente! Eeeeee! Consegui pegar as manhas! E então simplesmente deslanchei, vencendo um atrás do outro. Claro que perdendo round, gastando continue, perdendo um pouco, tomando combo fodid*, mas mesmo assim estava avançando como nunca.

Cada personagem é único no modo de lutar:

Alaric é forte em golpes de perna e desfere combos com rasteiras. Se ficar meio longe ele te taca uma bomba na fuça.

Thundra é veloz e abusa do teletransporte. O momento certo de dar porrada é justamente quando ela se teletransporta na tua cara. Aí é só bica e rasteira.

Angus (sim, ele mesmo, com seu peido da morte) tem socos muito fortes e desfere combos que comem metade da vida. E o peido de fogo dele te faz rir e você, se não se cuidar, se distrai da cena e leva bordoada até por dentro dos olhos. Filho da put*, não? Apesar disso a bola de fogo não causa tanto dano quanto as bombas de Alaric, por exemplo.

Pakawa é o cara dos agarrões. Apesar deste índio nativo norte-americano ser gordo ele é muito ágil e joga facas. Mas não joga o artefato como os outros personagens, que costumam esperar você estar longe: ele joga faca em você a qualquer momento. E causam um bom dano. Fora que ele dá um pulo-terremoto que te desestabiliza, além de tirar vida.

Danja não é forte, mas é um relâmpago e tem resistência forte. Ou seja, tem que descer o braço sem dó para vencê-la. E tudo fica mais difícil quando se leva gancho e voadora na cara só de chegar perto. E ainda, também, abusa do teletransporte e taca explosivos. Tem horas que ela se teleporta 05 vezes seguidas que você não sabe nem para que lado mirar. Mas ela te acerta.

Chagi é o kickboxer. Bem equilibrado nos tipos de golpes com mão e pé, todavia, surpreendentemente, achei um dos mais fáceis de passar. O cenário dele é bem bonito.

Passado todos os guerreiros você recebe a chave para o calabouço do chefe final, Gyaku. Ele é idêntico aos ninjas Senzo e Habaki (que são os únicos disponíveis no início da campanha Story), possui os mesmos golpes e magias, porém é muito mais veloz e mais forte, além de possuir outros golpes. E a luta final é melhor de 05 rounds…

Zerando Kasumi Ninja no nível "Normal"
Zerando Kasumi Ninja no nível “Normal”

E então, depois de quase 01 ano com o Jaguar em casa e tentando sem sucesso avançar, finalmente terminei Kasumi Ninja! Venci Gyaku!! E tudo para levar uma dessa na cara:

Final simples, te desafiando ao próximo nível
Final simples, te desafiando ao próximo nível

Ou seja: Não adianta nada vencer o jogo no nível Easy ou Normal. Para ver o final verdadeiro só zerando no Hard ou Ninja God. Bom, como eu já estava empolgado, mudei para Hard e segui jogando. E não é que consegui chegar ao final também?! Luta boa, 02 x 02, o último round foi apertado, mas consegui vencer! Agora vou ver o final verdadeiro e… Mesmo final insosso na tela.

Ué?! Mas eu não fechei no Hard?! Que merd* é essa? Então fiquei com sangue nos olhos, botei a faca nos dentes, virei o boné para trás e fui de Ninja God, o maior nível de dificuldade de Kasumi Ninja. Neste modo não tem continues: perdeu, já era. E a primeira coisa que percebi neste nível de jogo é que os adversários ficam mais fortes e provocam mais dano. Se levar 01 combo que seja já compromete o round. Mas eu estava doido para ver o verdadeiro final, que na verdade só vai aparecer se eu liberar o verdadeiro chefe final: Lord Gyaku, um Gyaku encapetado e monstruoso.

Passei todo mundo, lutei contra Gyaku, venci! Agora finalmente vou ver o verdadeiro final… Mesma tela de novo. Porr*!! Será que eu tenho que dar fatality no chefe para ver o verdadeiro final? Então fui procurar respostas na internet. Uma rápida busca no GamesFAQ, faq escrito em 2009… Lá estava. Eu tinha que fazer justamente o contrário do que estava pensando. Na hora de finalizar Gyaku eu tenho que tomar distância e deixar ele ali, sem desferir nenhum golpe. Então ele, de certo com o orgulho mais que ofendido com sua atitude se transforma em Lord Gyaku e te teletransporta para o ringue da luta final… Ok, então bora zerar mais uma vez no nível Ninja God… Só que eu simplesmente não estava conseguindo dar mais nenhum golpe! Parece que tinha voltado a estaca zero! Desferindo golpe, usando magia, nada funcionava. Alaric parece que sabia exatamente o que eu ia fazer e se defendia e atacava de modo que eu não conseguia evitar.

A explicação para isso é que, provavelmente, o cartucho possui um chip dedicado a aprender com o jogador e assim aprimorar os adversários. Essa tecnologia já tinha sido implantada em Jurassic Park do Mega Drive e posteriormente em Ultimate Mortal Kombat 3 do SNES. Por isso mesmo que as partidas nunca são iguais nestes jogos e, no caso do Jurassic Park, você já percebe a diferença logo na primeira fase depois de passar por ela uma segunda, terceira vez na mesma partida.

Games com chip que estuda o jogador e aprimora a dificuldade
Games com chip que estuda o jogador e aprimora a dificuldade

Para eu confirmar isso bastava eu desligar o console e jogar novamente, todavia eu já estava puto da cara e larguei para lá… Mas hoje enquanto dei uma pausa na edição deste texto testei a hipótese, que se confirmou. Na primeira tentativa cheguei até o último guerreiro antes do chefe e perdi. Na segunda tentativa mau passei do terceiro e da terceira e diante não conseguia mais passar do primeiro. O desafio aumenta drasticamente de uma tentativa para outra, ao menos na dificuldade máxima. Então desliguei o console, dei uns segundos e tornei a ligar. Bingo.

NOS ENCONTROS DE VIDEOGAME

É unanimidade: o Atari Jaguar fez sucesso nas 02 vezes que o levei aos encontros 2Join Curitiba! Por mais que o videogame tenha má fama e muito deboche em cima dele, não adianta: fechava de gente na volta da minha estande para tirar fotos, perguntar, ver, jogar. Tanto que acabei “convertendo” 03 colegas do clube que não iam muito com a lata do console, mas depois de experimentar acabaram gostando, especialmente “daquele estranho controle enorme que tem mais botão que teclado de PC”. Simplesmente sentiram por si mesmos que o que falam tão mal do Jaguar não é bem assim. Mas orgulho mesmo senti quando um desses 03 amigos postou no grupo do clube fotos do seu próprio Atari Jaguar, completo, que ele correu atrás depois de jogar com o meu no encontro. Não é legal isso?! =D

O que ouvi com mais frequência nessas 02 vezes que o levei nos encontros foi que o console é bonito, que o controle é muito confortável, que o tecladinho numérico do controle não é aquele “bicho de sete cabeças” e não atrapalha em nada na hora de jogar, que a movimentação, no caso de Wolfenstein 3D era muito suave e que “Porr*, não era o que sempre tinha ouvido falar”. E mesmo os que não simpatizaram tanto com o videogame, depois de me ouvirem falar do console, da ideia que ele carregava e sobre suas nada modestas especificações, ao menos já passaram a olha-lo com mais respeito. Mas todos presentes foram unânimes: ele é um ótimo item para coleção, ao menos depois de você já possuir os mais badalados.

Meus itens que levei ao encontro 2Join. Destaque para o Jaguar
Meus itens que levei ao encontro 2Join. Destaque para o Jaguar

De qualquer forma, resumidamente essas são características notáveis do console, várias pioneiras da indústria de games: Pentacore (02 processadores de 64bits, 02 de 32bits e 01 de 16bits), possuía modem, multi-tap (mais controles simultâneos), foi o primeiro console a permitir partidas de jogos de tiro online (Doom), um dos primeiros consoles a oferecer trilha sonora de um título em CD, o primeiro console 64 bits, o primeiro a ter jogos salvos em memória “flash” (não como o termo representa hoje, mas está lá), foi pioneiro a ter games rodando nativamente a 60fps, especialmente visível em Wolfenstein 3D que, como já mencionado, teve esta versão superior ao original; e um dos mais importantes: foi o primeiro console a reunir fãs e entusiastas dedicados a finalizar games inacabados e criar novos, ainda nos anos 90, com apoio dos próprios desenvolvedores, que abriram o direito de uso do sistema após o fim de sua produção. Fora que talvez seja, ainda, um dos primeiro consoles a exibir um salto gigante de qualidade entre os primeiros e os últimos títulos. Quem jogou Cybermorph e depois Battlemorph sabe bem o que estou falando. E ainda mais diversas outras, como o pioneirismo em jogo 3D “de mundo aberto de verdade” e não preso a um trilho (Cybermorph, Iron Soldiers). Até mesmo o criticado Kasumi Ninja que vocês viram que estou curtindo, trouxe uma inovação pioneira: foi o primeiro game a trazer controle dos pais, onde se registra um senha para liberar o nível de sangue e violência do jogo.

MEU ACERVO JAGUAR HOJE

Minha seleção do Jaguar ainda é a mesma de 01 ano e modesta, com os mesmos 06 títulos. E o problema é que o console, além de ser raro em nossas terras, anda bastante valorizado no mercado de games antigos, especialmente seu mais conhecido acessório, o Jaguar CD e seus jogos, sendo vendidos a preços bastante questionáveis. Talvez o fato de que o colecionador que se dedica ao felino ser aquele que já possui uma coleção razoavelmente grande e diversificada, por isso mesmo têm-se a ideia de que ele já é habituado a gastar boas somas em itens para sua coleção. A primeira é verdade: você não vai ver um colecionador iniciante começar logo com um console pouco acessível e com um volume pequeno de jogos aclamados. Mas aí abusar dos preços já é demais. O meu mesmo foi um golpe de sorte, mas também porque o comprei de outro colecionador veterano, que faz parte do mesmo clube que eu. Agora se eu for pensar em ter um Jaguar CD, a frustração vai ser bem grande, embora vários dos melhores títulos da plataforma sejam os que saíram para a expansão. Então por enquanto me contento com o que tenho, que já está de bom tamanho.

Minha coleção Jaguar. Modesta, mas que me orgulha!
Minha coleção Jaguar. Modesta, mas que me orgulha!

 

CONCLUSÃO: AINDA ADORANDO JOGAR ATARI JAGUAR

Quando estou na rua ou fazendo alguma outra coisa e penso na minha coleção, me lembro do meu exemplar do Atari Jaguar ali, dividindo espaço com outros 06 videogames no agora grande raque do meu novo quarto da coleção. E sinto orgulho. Me lembro de todos estes anos que sonhava em ter um e nunca tinha tido chance. Me lembro o perrengue que passei na semana que antecedeu a viagem e como a sensação de conquista foi gigantesca na volta para casa, com o console debaixo do braço. E a primeira semana de jogatina e todos esses meses jogando nele.

Uma amostra do meu quarto da coleção
Uma amostra do meu quarto da coleção
Uma amostra do meu quarto da coleção
Uma amostra do meu quarto da coleção

Eu gosto de ficar olhando para os meus itens. Apreciar os detalhes, que nunca me canso de contemplar. E o faço sempre com o Jaguar. Quando me sento para curti-lo, não fico menos que umas horas jogando. Me divirto muito com ele! Assim que terminar Wolfenstein 3D com toda certeza vou recomeçar tudo de novo. Esta missão de chegar no chefe verdadeiro de Kasumi Ninja tem sido divertido e gratificante! O jogo fica bom depois que você domina o timing dos movimentos e aprende os golpes. Estou até aprendendo as magias e a fazer combo! Theme Park é um tipo de game que me agrada muito. Sou fã de Sim City, Rollercoaster Tycoom e Dinopark Tycoom e o jogo é bem recheado de recursos.

Theme Park, agora aberto e sendo devidamente desfrutado
Theme Park, agora aberto e sendo devidamente desfrutado

Ao longo deste ano vou tentar adquirir 02 games para meu Jaguar: Iron Soldier e Ultra Vortek. Estão na minha lista de caça. Mas claro: se eu conseguir a oportunidade com algum proprietário com bom senso! =P

Glefferson é formado Bacharel em Sistemas de Informação e trabalha como Salesforce developer. Ama pilotar drones, é fã de Ramones, Misfits, Heavy Metal e adora dançar as coreografias dos Anos 80. É apaixonado por Jurassic Park, Ufologia e Fuscas. É fusqueiro que participa de encontros sempre que pode. Escreve para o Portal 2 Join e para o Gamer Descontrutor e é membro do 2Join Curitiba. E é um colecionador de videogames e brinquedos antigos longa data, já com 17 anos de colecionismo.

  • fmrbass

    É um caso de amor platônico mesmo. Vejo o Glefferson escrevendo sobre o Jaguar e lembro de mim mesmo escrevendo sobre Zelda (não comparando jaguar x Zelda, obviamente).

    Enfim, o importante é ser feliz!

  • Visio

    É interessante ler esses relatos sobre o Atari Jaguar. O Glefferson realmente tomou pra si a missão de defender o console como ninguém!
    Acho válido esse ponto de vista diferente sobre algo que já foi massacrado milhões de vezes e sempre com relatos muito negativos. Logo aparece alguém que curte o Virtual Boy e passa a defender o mesmo.
    Pelo menos percebemos que mesmo pessoas sensatas podem gostar de coisas que nós sequer temos interesse em procurar se informar ou jogar. Dá pra ter uma boa noção da quantidade de opiniões pessoais que encontramos pela internet.

    Muito bem escrito o artigo Glefferson! Ficou fera demais!

  • Parabéns mano! Um verdadeiro caso de amor! Queria muito conhecer a versão do Jaguar do Wolf 3D!